quinta-feira, novembro 05, 2009

Falar sobre meditação


Fui falar de meditação numa aula do curso de Psicologia da Universidade de Aveiro!

Ontem, duas alunas do terceiro ano do curso de Psicologia foram visitar-nos ao nosso espaço de yoga, o SitaRama, para conversar sobre meditação, pois estavam a fazer um trabalho sobre os efeitos da meditação. Encontraram-nos na Internet.

Fui hoje falar um pouco sobre o assunto e falei também sobre a minha experiência de prática de yoga e meditação, no Departamento de Ciências da Educação. Foi interessante estar numa aula a conversar sobre isto, normalmente falo sobre matemática.

Assisti à apresentação delas, muito interessante, em que apresentavam vários estudos científicos, que comparavam grupos de meditadores com não meditadores e mostravam diversos benefícios da meditação.

No final fizemos uma curta sessão de meditação. Toda a gente pareceu muito interessada no assunto e com vontade de ir experimentar o Yoga e a meditação connosco. Vamos ver se aparecem.

Normalmente há mesmo interesse é em conversar sobre meditação. Quando se trata de praticar vem aquele pensamento do género: vou agora ficar sentado sem fazer nada com tantas coisas interessantes para fazer? :-)

quarta-feira, novembro 04, 2009

Siddhartha de Hermann Hesse

Li ontem este livro, que aparentemente toda a gente já leu, pela primeira vez. Hoje apeteceu-me escrever aqui o que me vier à cabeça, sobre o livro.

Siddhartha viveu nos tempos de Gotama, o Buda. Não acreditava em doutrinas, nem em mestres. Foi um culto brâmane, depois um samana da floresta, um pedinte, a seguir um mercador rico e finalmente foi viver com o barqueiro na sua cabana, e aprendeu a ouvir o rio. E depois apareceu lá o seu filho e aprendeu a amar. O filho partiu e aprendeu a sofrer a perda de um ser amado. E assim compreendeu o “povo de crianças” em relação ao qual antes se sentia superior.

Um dia ouviu o Buda expor a sua doutrina, que achou perfeita. No entanto aprendeu mais a olhar para o Buda, para a sua serenidade, do que com a sua doutrina. O seu amigo Govinda resolveu deixar Siddhartha e seguir o Buda, mas ele não o fez. Foi para a cidade, onde viveu vinte anos, e conheceu a bela cortesã Kamala pela qual se tornou rico. Na cidade esvaziou-se completamente a sua alma, chegando à beira do suicídio, mas foi salvo pelo som do Om que veio de dentro de si, quando se ia atirar ao rio.

Siddhartha aprendeu com todas estas experiências ao longo da sua vida, e acabou por encontrar a paz que sempre procurou, numa vida simples, a escutar o rio.

O seu amigo Vasudeva, o barqueiro, parece ter passado a vida junto ao rio e tornou-se um santo, como o Buda.

Govinda, o amigo de Siddhartha, nunca encontrou a paz, apesar de aplicar a doutrina do Buda, que ajudou milhares a despertar.

A história da vida espiritual do Siddhartha é das coisas mais belas que alguma vez li.

Também achei linda a história das outras personagens, como pessoas diferentes têm caminhos diferentes. O barqueiro Vasudeva que atingiu a paz com uma vida simples. Os que beneficiam com doutrinas, os que as seguem e não beneficiam, os que não as seguem. Os que precisam de experimentar todos os caminhos para ver por si próprios que não lhes servem, os que não precisam de experimentar pois acreditam em algo simples, como a sabedoria de um rio.

O livro não diz só isto. Mas foi o que me deu vontade de escrever.

E cada pessoa segue o seu caminho...

quarta-feira, outubro 07, 2009

SitaRama



Concluí a minha formação como instrutor de Yoga Integral. O meu nome na linhagem ficou Rama (e o da minha poxinha é Sita). Somos os heróis do épico em sânscrito Ramaiana! :-)

Vamos começar a dar aulas de Yoga em Aveiro num espaço que arrendámos para o efeito, na zona do Rossio, a que vamos chamar SitaRama.

Também vamos ter sessões regulares de meditação.

Espero que esta iniciativa seja em benefício de todos os seres...

A página do SitaRama (em construção): http://sites.google.com/site/yogaintegralaveiro/.

Om Shanti!


quinta-feira, agosto 27, 2009

Avalokiteshvara


O bodhisattva da suprema compaixão. Acabei de ler, e já não sei onde, que se manifesta no momento em que ajudamos alguém... Ou seja, não temos que pensar em bodhisattvas como seres separados de nós.

Mas o ideal do bodhisattva, do Budismo Mahayana, é inspirador. O bodhisattva é um ser que está perto de atingir a iluminação mas opta por não o fazer. Continua no mundo para ajudar todos os seres a libertarem-se do sofrimento, e a sair do samsara...

A prática do Theravada é essencialmente Samatha e Vipassana, o que basicamente significa, parar e olhar. Não parece haver um ênfase tão grande na compaixão, que no entanto aparece naturalmente interligada com a sabedoria... Mas aqui não há bodhisattvas, é o salve-se quem poder!

Estou-me a sentir melhor colorindo o Theravada com um pouco da compaixão do Mahayana e da beleza do Vajrayana. A ciência do Ajahn Buddhadasa, o calor do Thich Nhat Hanh, a magia do Dalai Lama... Há tantas fontes de sabedoria e bondade.

Ontem fiz metta bhavana, a famosa meditação do amor incondicional. Já não fazia uma meditação prolongada há algum tempo. E vi como é importante dar mais ênfase ao amor e compaixão.

Entrei hoje no ano 40, com esta sensação de que, se o coração está morto não dá para parar e não há nada para ver...

Que todos os seres se libertem do sofrimento e das causas do sofrimento, e que cultivem a felicidade e as causas da felicidade.

sexta-feira, junho 19, 2009

A impermanência e os bidés

Tinha acabado de ler uma frase neste livro que dizia que inicialmente o asana era apenas encontrar uma postura sentada que nos permitisse estar muito tempo sentados em meditação sem desconforto físico.

A pensar sobre se deveria meditar sentado ou a fazer posturas de yoga, sentei-me neste bidé. Subitamente o bidé parte-se. Montes de sangue, um grande golpe, quatro pontos... Tive muita sorte com o lugar do corte.

Sábado de manhã, dia 13 de Junho... Aprendi na pele o que significa a impermanência, a fragilidade desta vida humana. Em qualquer instante tudo pode mudar. Subitamente os nossos dilemas deixam de fazer sentido. Mesmo sentado num bidé! Não podemos contar com nada como garantido...

sábado, junho 06, 2009

Yoga, Meditação e Budismo



Às vezes sinto a prática das posturas do yoga apenas como uma preparação física para a meditação a seguir. Toda a gente sabe que Asana não é só físico. Mas quem faz realmente meditação na prática de Asana?


“Two early sutras in which the Buddha gave meditation instructions are the Anapanasati (Awareness of Breathing) and the Satipatthana (Establishing of Mindfulness) sutras. In the Southern (Theravada) tradition of Buddhism these sutras are still considered the most important texts on meditation practice. […]
From my first introduction to these sutras, their incredible value for asana practice has been apparent to me - lifting the physical practice of asana from a mere preparatory role for meditation into a real and deep meditation practice itself." - Frank Jude Boccio.

Estou a ler novamente este livro. Diz o Georg Feuerstein: "This book should be read by every aspiring yoga practitioner."

segunda-feira, junho 01, 2009

Ter fé

Desde que fui ao retiro com o Ricardo que medito todas as manhãs 45 minutos, logo ao sair da cama. Nos últimos dias tem sido difícil. Parece que a mente se está a tornar cada vez mais hábil na criação de distracções.

Observar o ar nas narinas não é interessante. É preciso inventar histórias, criar fantasias. Mas o problema é que as histórias não estão a acontecer. O movimento da respiração no corpo imóvel está a acontecer. Afinal o que é interessante? Viver em sonhos ou viver o momento em que de facto se está vivo?

Em cada momento respiro. Em cada instante estou vivo. Não é preciso esperar pelo prazer do almoço, ou de um encontro, pela conclusão do que estou a escrever, ou qualquer outra coisa.

Há sempre uma pequena ânsia de concluir o que se está a fazer para fazer algo a seguir. E quero que os 45 minutos passem, que os dias passem, que esta emoção me deixe, que tudo passe.

Mas o que vem a seguir? Mas o que há de interessante "a seguir"? Porque motivo caminhamos com ânsia de chegar? Afinal chegamos onde? Não estaremos sempre aqui? Porque é que o próximo passo é melhor que este?

Não poderemos mesmo estar onde estamos, sem querer o que vem a seguir e sem inventar prazeres em mundos ilusórios?

Pode mesmo a mente ser treinada para estar eternamente presente, no tempo e no espaço, focada, descontraidamente atenta?

Eu estou a com fé numa técnica, que o Buda ensinou. Chama-se Anapanasati.

terça-feira, maio 26, 2009

A fórmula da felicidade


O Ricardo Sasaki, professor de Buddhismo Theravada, passou-nos a seguinte fórmula no mini retiro que fizemos em Gaia, de 16 a 18 de Maio.
Esta fórmula matemática (que gentilmente me dedicou por causa de eu ser matemático :-) ) garante a Felicidade:

C = 2I + 2A = V

Conhecimento correcto
Impermanência
Interdependência
Aceitação
Apreciação
Vida iluminada

Fica aqui a fórmula para não nos esquecer-mos. É uma brincadeira mas também é uma coisa séria.

Este retiro, embora curto, mudou radicalmente o meu estado de espírito e tenho conseguido manter uma prática de meditação diária.

Agora espero manter a prática e continuar membro do Nalanda, procurando entender e praticar o essencial do ensinamento do Buddha, com o inspirador apoio do Ricardo.


sexta-feira, abril 03, 2009

rebirth

"The Buddha refused to have any dealings with those things which don't lead to the extinction of Dukkha. Take the question of whether or not there is rebirth. What is reborn? How is it reborn? What is its kammic inheritance? (kamma-is volitional action by means of body, speech or mind.) These questions are not aimed at the extinction of Dukkha. That being so, they are not Buddhist teaching and they are not connected with it. They do not lie in the sphere of Buddhism. Also, one who asks about such matters has no choice but to indiscriminately believe the answer he is given, because the one who answers is not going to be able to produce any proofs, he's just going to speak according to his memory and feeling. The listener can't see for himself and so has to blindly believe the other's words. Little by little the matter strays from Dhamma until its something else altogether, unconnected with the extinction of Dukkha."

Buddhadasa Bhikkhu

quarta-feira, março 18, 2009

Meditação na Universidade de Aveiro

Desde o dia 10 de Fevereiro que um pequeno grupo de pessoas se junta na Universidade de Aveiro para meditar.

Sempre me pareceu que um seminário na Universidade é um lugar ideal para a prática de meditação. Conversamos com o Padre Alexandre que gentilmente nos acolheu e nos autorizou a usar uma salinha no CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura) todas as terças das 18 às 19:30.

O grupo não é Cristão nem Budista nem de outra religião qualquer. O que nos une é apenas o interesse pela meditação e a vontade de praticar em grupo.

Não existe nenhum mestre no grupo. E os encontros têm corrido bem assim. Sem nenhuma espécie de planeamento o que tem acontecido é uma prática de meia hora de meditação sentada (alguns no chão outros em cadeiras) seguida de uma prática de meditação a andar (uma volta à sala, lentamente) e depois conversamos um bocadinho.

As principais fontes de inspiração do grupo actual talvez sejam o Budismo (da tradição Theravada) e Krishnamurti. Mas a ideia é manter o grupo aberto a quem tem interesse por meditação. O espírito não é de cultivo de crenças mas sim de abertura...

Quando aparece alguém sem experiência da meditação (já aconteceu) alguém no grupo dá indicações.

Para praticar connosco basta aparecer na entrada do CUFC (ao lado do seminário) às terças entre as 18:00 e as 18:10.

terça-feira, novembro 04, 2008

A morte

Foi a consciência de que a morte existe, assim como o envelhecimento e as doenças, e o sofrimento em geral, o mais importante que me aconteceu quando me comecei a interessar por budismo. Isto é essencial na vida e, assim como eu, todos os outros estão sujeitos ao mesmo! Isto originou em mim uma profunda mudança de perspectiva. Podia não ter passado de mais uma frase: "todos os seres sofrem". Mas não foi assim.

E essa mudança de perspectiva solucionou os meus mais terríveis problemas na vida: a condução agressiva e a timidez. Note-se que estes dois problemas juntos tornavam dificil o meu encaixe no DSM IV pelos especialistas de saúde mental. Não tinham etiqueta para me colocar, eheh.

Por isso para mim a consciência de que a morte existe é essencial. É algo a ter presente. A alternativa é arranjar distracções e evitar pensar nisso. Mas não me satisfaz.

No entanto, embora nesta margem não haja duvida de que existe a morte, parece que na outra margem, de algum modo não existe esta morte. Consigo imaginar que se eu conseguir "ver" que de facto tudo morre em cada instante, que eu morro e renasço em cada instante, então talvez se atenue esta distinção entre as "pequenas mortes" que a todo o momento ocorrem e a "grande morte" final.

Mas como diria o Buda, especular sobre o que é a iluminação não é conducente à iluminação. Nesta margem é claramente vantajoso estar consciente da morte e do sofrimento. Vamos remover a seta ou ficar a imaginar como vai ser bom quando ela for removida?

segunda-feira, setembro 22, 2008

A caminho

Passei o fim de semana num retiro de silêncio orientado pelo Ricardo Sasaki.

Parece-me tudo tão claro. Algumas pessoas são mais adaptadas. Querem um bom emprego, um bom carro, uma boa casa e uma família... mas há outras mais insatisfeitas. Como estou no segundo grupo para mim é clara a necessidade de mudar alguma coisa. Não é o mundo que tenho que mudar mas sim a minha própria mente.

O Budismo não me dá um sistema de crenças, não me dá respostas para nada. Mas dá-me técnicas para transformar a mente, uma orientação. O Budismo Theravada, que procura basear-se apenas no ensinamento original do Buda, parece ter uma abordagem quase científica ao problema. Parece que o Buda não era muito dado a rituais e crenças, isso surgiu depois...

Acredito na meditação, é a minha crença. Acredito que pode transformar a mente. Mesmo as tendências mais enraizadas que nos fazem sofrer, que geram insatisfação. Como o exercício físico pode transformar o corpo, a meditação pode transformar a mente. Treinado podemos ficar mais sábios. Acumular conhecimentos não nos torna mais sábios. Mas meditar pode tornar.

O caminho pode ser longo, mas o que importa não é chegar, é cada passo. É a atenção que se dedica a cada instante, a cada pressionar destas teclas, a tudo o que acontece em cada momento.

Parece tão simples. Porque é que às vezes é tão complicado? Porque é que ficamos mergulhados nesta tagarelice mental, nesta constante projecção de filmes mentais e nem sabemos o que estamos a fazer e o que está a acontecer? Porque motivo não praticamos para nos libertarmos desta tendência doentia?

Já há algum tempo que mantenho uma prática diária de meditação e este retiro reforçou a minha motivação para continuar.

A caminho...

sexta-feira, agosto 29, 2008

O optimismo do budismo

Em resumo, esta vida é insatisfatória. E podemos contar com muitas formas de insatisfação e sofrimento no futuro. Além disso não vai terminar com a morte. Não, não é assim tão simples. Vamos voltar a nascer para sofrer mais ainda. E vai ser assim por milhões de anos, se meditarmos muito. No entanto há-de chegar o dia em que não voltamos a nascer.

Mas não há problema pois só temos que lidar com o sofrimento do momento presente. Nas muitas vezes no futuro em que vamos morrer queimados, ter escaldantes metais liquidos derramados para dentro dos nossos futuros corpos, perder subitamente pessoas queridas e todas os outras imaginaveis formas de sofrimento fisico e mental, pelas quais já passamos também no passado, podemos preocuparnos apenas com o momento presente.

Não é tão bom? Saber que so temos que lidar com o presente e que um dia isto vai tudo terminar? Mas note-se que não temos que acreditar nisto porque nos dizem. É possivel ver que é de facto assim, meditando.

Ainda bem que no "fluxo de consciência individual" que passa de umas vidas para as outras não são transportadas recordações das torturas das vidas anteriores, pelo menos a nível consciente.

Será mesmo seguro meditar?

terça-feira, agosto 26, 2008

O caminho do meio


Acabei hoje de ler este livro. Parece que o encontrei mesmo na altura certa. A última das quatro sublimes verdades é "o caminho do meio". Este livro é sobre isso.

Embora simpatize com o Budismo Tibetano e o Budismo Zen, tenho claramente mais inclinação para o Theravada. Tenho lido tantos livros sobre budismo. Talvez ainda leia outros mas sinto que de certa forma este foi o último. Já não saber mais que as quatro nobres verdades e o caminho aqui descrito. Quero apenas praticar...

segunda-feira, junho 16, 2008

De scooter

Consumo: ainda não estive a medir... mas a potência da fonte é 300w e no máximo demora umas oito horas a carregar. Por isso deve bastar multiplicar o preço do kw/h por 8*0,3.

Autonomia: não medi isto devidamente, mas sempre na velocidade máxima, suponho que seja pouco mais que 40km. Como moro apenas a 10km do trabalho, não é coisa que me preocupe. Já andei até descarregar quase totalmente a bateria. Não pára de repente. Vai andando cada vez mais devagar e depois liga e desliga. Ainda fiz uns três kilometros quase sem bateria.

Velocidade: na zona de Aveiro, plana, aguenta-se a 47,5km/h com uma pessoa (70 kg) e a 45km/h com duas (120kg).

Gozo: é muito agradável saber que se está a andar no veículo mais ecológico e económico que existe. Antes desta scooter tive uma Honda Hornet 600, que andava a 230km/h. Às vezes sinto a falta daquela potência todas nas rectas, mas andar de scooter é muito agradável. Devagar é uma experiência diferente, veêm-se as coisas pelo caminho...

quinta-feira, abril 24, 2008

Scooter eléctrica



Ontem comprei uma scooter eléctrica... e estou a pensar usa-la o mais possível.

Porque raio de motivo andamos de carro, uma tonelada de ferro que polui imenso, se podemos andar num veiculo assim? Há coisas que estão ao nosso alcance...


Ainda não a tenho mas já a experimentei. É tipo andar de bicicleta sem pedalar. Não faz barulho e não deita fumo. Parece que gasta só 40 cêntimos por cem kilometros. Com tarifa bi-horária deve ser uns 20 centimos. Um carro a gasolina gasta uns 10 euros. Portanto umas 50 vezes mais. Tenho que confirmar estas contas...

Claro que uma bicicleta polui ainda menos, pois é preciso ter em conta a produção de energia eléctrica. Mas a casa é longe demais para andar de bicicleta. Nesta scooter, a 50km/h, parece razoável.


Até estou a pensar escrever num blog sobre a minha experiência com a scooter. Pode ser que leve mais pessoas a comprar e são menos umas toneladas de lixo emitido por carros...

Estão com desconto de 200 euros na Feira de Março em Aveiro:
ecomotores.

terça-feira, abril 15, 2008

Matemática Budista

Ao longo da história, foram surgindo paradigmas cada vez mais ajustados. Já se pensou que a terra era plana, depois que rodava à volta do sol, que havia muitos deuses, depois só um, que a mecânica clássica explicava tudo e depois veio a quântica e depois o paradoxo EPR... Aparentemente estamos a ficar mais próximos da Realidade. Mas existirá mesmo alguma Realidade Última? Se existir estará mesmo ao alcance da compreensão de um ser humano?

Veio-me esta ideia... Suponhamos que o meu paradigma actual é P1. Eu posso deixar algumas crenças erradas e conseguir um paradigma melhor, digamos P2. E assim sucessivamente construo uma sucessão de paradigmas (Pn). Então é só estudar esta sucessão e ver se é convergente. Se for, o limite da sucessão é a Realidade Última. Mas a sucessão ser convergente não basta, podia ser preciso uma infinidade de termos. Hum, de facto segundo o budismo esta sucessão ou é constante a partir de certa de certa ordem, ou finita, não se sabe bem o que acontece a um iluminado. :-)

Parece uma ideia parva mas não é assim tanto... Primeiro deixa implícito que é o meu paradigma que tem que mudar, ninguém me pode dizer o que é a Realidade Última, dar respostas. Depois que, independentemente da existência ou não de limite da sucessão, parece possível avaliar se estamos mais perto da zona de convergência...

Uma vida com sentido

Como é que o meu budismo dá sentido à vida?

O meu budismo não dá respostas. Não sei se há ou não vida depois da morte, não sei se a lei do karma admite excepções, em principio não existe deus mas não estou certo disso... etc. Não tenho respostas para nada.

Claro que todos temos crenças, são a base que nos permite interagir com o mundo. Eu tenho crenças. E progredir é libertar-me delas.

Mas afinal que raio de religião é esta que em vez de nos dar qualquer coisa para nos agarrarmos ensina-nos a largar tudo?

Bom, na verdade há algumas crenças, mesmo no meu budismo. Eu acredito que existem sementes boas e más em mim, e que posso regar as boas e não alimentar as más. E também acredito que se pode ir para além do bem e do mal.

Então escolho a seguinte perspectiva: vejo-me a mim próprio como uma esfera, com luz branca no centro e montes de lixo à volta. A mim e as outros seres. O sentido desta vida é ir removendo progressivamente o lixo à volta até que a luz branca se manifeste, sem obstruções.

Nem sempre sei o que é o melhor a fazer para me libertar, e aí o Caminho do Meio, orienta-me, como um mapa...

E o essencial do Caminho do Meio é para mim apenas isto:

1. Existe dukkha (sofrimento, desencaixe);

2. A causa é o desejo (o querer que seja o que não é);

3. É possível cessar o dukkha e as causas (momentaneamente, por algum tempo, talvez de vez);

4. Existe um caminho para acabar com o dukkha, o Nobre Caminho Óctuplo (um mapa).

O Nobre Caminho Óctuplo é formado por oito aspectos que se agrupam em três grupos:

I - Sabedoria (1. Compreensão, 2. Motivação);
II- Conduta (3. Fala, 4. Acção, 5. Modo de subsistência);
III- Meditação (6. Esforço correcto, 7. Atenção, 8. Concentração).

E como funciona o Nobre Óctuplo Caminho?

Orienta-nos na transformação progressiva da mente de modo a libertarmos-nos das tendências mentais perturbadoras, da parte menos boa em nós, ou do lixo em torno do centro luminoso da esfera.

As perturbações mentais (por exemplo a raiva) existem em três níveis diferentes:

1) latente (exemplo, raiva por despoletar),

2) manifesto (exemplo, sentir raiva),

3) transgressão (exemplo, agir ou falar movido pela raiva).

O grupo II do caminho (conduta ética) permite-nos lidar com os níveis 2) (manifesto) e 3) (transgressão) e o grupo III (meditação) com o nível 1) (latente). O grupo I (sabedoria) é o ponto de partida e o objectivo do caminho, o auto-conhecimento, a sabedoria e compaixão.

A ideia é cultivar os oito aspectos em simultâneo...

Então basicamente tenho que me portar bem (grupo II; porque é vantajoso para mim e para os outros, não é porque senão deus castiga), tornar-me sábio (grupo I; que é basicamente ver mais longe a interdependência, e ser compassivo, em vez ter visões curtas e atribuir culpas) e meditar (grupo III; sentado e atenção plena durante o dia).

Assim tenho a salvação garantida! Se existir Deus vou para o céu. Se há renascimentos tenho garantido um bom renascimento. Se a vida terminar com a morte também está bem pois vivo uma vida com sentido.

Ah, a expressão "Caminho do Meio" é para aplicar a tudo. Não há interesse em ser demasiado sério nem demasiado a brincar, é sempre pelo Meio!

segunda-feira, abril 14, 2008

Curso do Sagara

Participei no segundo nível do curso de meditação do Sagara na UPB Porto... Já foi há uma semana que terminou.

Há tantas religiões, filosofias, espiritualidades... E tanta gente desorientada, sem saber bem para onde se virar. Eu desde que conheci a história da vida do Buda nunca tive grandes dúvidas, a base do meu caminho nesta vida é o Budismo.

Algumas pessoas sentem-se mais ligadas aos aspectos mais esotéricos do Budismo, a rituais e a crenças. Mas o Sagara, que é Budista, parece a pessoa menos religiosa que conheço. No sentido mais usual da palavra.

Para escolher um caminho, além de ter que fazer sentido intelectualmente, é fundamental ter em conta o que ele fez à pessoa que o sugere. Talvez tenha um efeito semelhante em nós.

A concentração, clareza de discurso, bom humor e abertura de espírito do Sagara quase que nos deixam iluminados só com o curso!

A forma como propões o Octuplo Caminho, faz todo o sentido intelectualmente. Voltei a meditar regularmente e sinto-me orientado e com vontade de participar num retiro.

Quem por vezes sente que a vida não tem sentido, quem se identifica com a filosofia do yoga mas não é dado a crenças e em particular não acredita em Deus, tem que fazer um curso com o
Sagara!

quarta-feira, abril 02, 2008

Vida

Eh, e um gaijo que pensa como eu acerca da vida! :-)

"All conditioned things are impermanent" - When one sees this with wisdom, one turns away from suffering. This is the path to purification. -

Buddha...