Participei no segundo nível do curso de meditação do Sagara na UPB Porto... Já foi há uma semana que terminou.
Há tantas religiões, filosofias, espiritualidades... E tanta gente desorientada, sem saber bem para onde se virar. Eu desde que conheci a história da vida do Buda nunca tive grandes dúvidas, a base do meu caminho nesta vida é o Budismo.
Algumas pessoas sentem-se mais ligadas aos aspectos mais esotéricos do Budismo, a rituais e a crenças. Mas o Sagara, que é Budista, parece a pessoa menos religiosa que conheço. No sentido mais usual da palavra.
Para escolher um caminho, além de ter que fazer sentido intelectualmente, é fundamental ter em conta o que ele fez à pessoa que o sugere. Talvez tenha um efeito semelhante em nós.
A concentração, clareza de discurso, bom humor e abertura de espírito do Sagara quase que nos deixam iluminados só com o curso!
A forma como propões o Octuplo Caminho, faz todo o sentido intelectualmente. Voltei a meditar regularmente e sinto-me orientado e com vontade de participar num retiro.
Quem por vezes sente que a vida não tem sentido, quem se identifica com a filosofia do yoga mas não é dado a crenças e em particular não acredita em Deus, tem que fazer um curso com o Sagara!
segunda-feira, abril 14, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
Vida
Eh, e um gaijo que pensa como eu acerca da vida! :-)
"All conditioned things are impermanent" - When one sees this with wisdom, one turns away from suffering. This is the path to purification. -
Buddha...
"All conditioned things are impermanent" - When one sees this with wisdom, one turns away from suffering. This is the path to purification. -
Buddha...
Moda
Olha que fixe, um gajo que pensa o mesmo que eu da moda :-)
Fashion is a form of ugliness so intolerable that we have to alter it every six months.
Oscar Wilde
Fashion is a form of ugliness so intolerable that we have to alter it every six months.
Oscar Wilde
quinta-feira, março 27, 2008
Consumo correcto e pornografia
Correcto no sentido de nos tornar mais conscientes, mais presentes, mais no aqui e agora, mais plenamente sábios e compassivos...
Há um aspecto em que o consumo de pornografia ou qualquer coisa que aumente o desejo sexual pode ser prejudicial. Se pretendermos seguir um caminho espiritual em que progressivamente nos tornamos mais tranquilos e conscientes, então não há grande interesse num consumo que nos agita...
E o mesmo se aplica à comida. Nunca achei razoável tornar-me vegetariano, pois parece-me mais difícil conseguir os nutrientes precisos sem comer carne e peixe. Parece-me mais razoável muito pouca carne e algum peixe. No entanto perdi totalmente a vontade de comer carne. Acho que este filme foi a última gota de agua: http://veg-tv.info/Earthlings
Bom, tudo tem consequências e aquilo que consumimos importa como é obvio...
Claro que é importante dosear o nível de controlo, deixando respirar o tigre. Se a energia sexual é demasiado controlada pode originar desvios.
Mas se é a inteligência que nos impede de viver no presente e nos faz levar a vida no passado e no futuro, também a podemos usar para exercer algum controle e manter o bicho satisfeito e calmo!
Há um aspecto em que o consumo de pornografia ou qualquer coisa que aumente o desejo sexual pode ser prejudicial. Se pretendermos seguir um caminho espiritual em que progressivamente nos tornamos mais tranquilos e conscientes, então não há grande interesse num consumo que nos agita...
E o mesmo se aplica à comida. Nunca achei razoável tornar-me vegetariano, pois parece-me mais difícil conseguir os nutrientes precisos sem comer carne e peixe. Parece-me mais razoável muito pouca carne e algum peixe. No entanto perdi totalmente a vontade de comer carne. Acho que este filme foi a última gota de agua: http://veg-tv.info/Earthlings
Bom, tudo tem consequências e aquilo que consumimos importa como é obvio...
Claro que é importante dosear o nível de controlo, deixando respirar o tigre. Se a energia sexual é demasiado controlada pode originar desvios.
Mas se é a inteligência que nos impede de viver no presente e nos faz levar a vida no passado e no futuro, também a podemos usar para exercer algum controle e manter o bicho satisfeito e calmo!
segunda-feira, março 17, 2008
Budismo e depressão
O budismo faz todo o sentido. Claro que só podemos ser felizes no presente, nada mais existe. Não vejo dogmas no nobre caminho óctuplo É apenas um mapa extremamente lógico e útil. Que nos orienta agora a seremos felizes e a melhorar o nosso estado geral de felicidade. É preciso praticar o caminho. Usar o mapa.
Mas e naqueles dias em que tudo parece cinzento e não conseguimos pôr nada em prática? O que causa mais sofrimento? Será a depressão ou o desejo forte de nos livrarmos dela? O que fazer quando nada resulta?
Felizmente há alturas em que fico profundamente deprimido. E não consigo fazer rigorosamente nada para abandonar esse estado, ou para outro efeito qualquer. Às vezes digo a mim próprio, em alturas melhores: se voltar a acontecer vou fazer apenas isto, algo simples, para não me esquecer. Mas nunca resulta. Não me lembro. Talvez escrevendo num papel... Não dá. O problema é que tudo muda e o que resulta hoje não resulta amanhã. É como com as crianças. É preciso ser flexível. Mas como ser flexível quando se está deprimido e não se consegue fazer nada?
Felizmente também, as minhas "depressões" não duram muito. O melhor a fazer é esperar que passem. Mas até isto esqueço nessas alturas. Parece que nunca vai passar. Quando o lume está a arder é fácil dirigir a chama. Mas e quando falta a faísca que o acende?
O que me ajuda? O Budismo. É natural existir insatisfação. É o dukkha. Sem sofrimento não pode existir compaixão pois não se tem oportunidade de sentir o que os outros também sentem. Por isso a "depressão" é de certa forma uma coisa útil.
Mas também é tão horrível. Especialmente quando não parece haver causa nenhuma além do dukkha. E por vezes procuramos inventar uma causa mais aceitável.
Aceitar o sofrimento como sendo algo natural em vez de uma doença, é então a primeira coisa que me ajuda. Além da aceitação é sentir que não tenho que fazer nada. É esperar que se auto-cure, como acontece com as feridas.
Finalmente, é uma oportunidade para investigar o sofrimento. Que de facto, devido ao sofrimento, não consigo aproveitar...
Resumindo: aceitar, esperar que passe e se possível investigar enquanto dura.
Pra próxima tenho que me lembrar disto...
Mas e naqueles dias em que tudo parece cinzento e não conseguimos pôr nada em prática? O que causa mais sofrimento? Será a depressão ou o desejo forte de nos livrarmos dela? O que fazer quando nada resulta?
Felizmente há alturas em que fico profundamente deprimido. E não consigo fazer rigorosamente nada para abandonar esse estado, ou para outro efeito qualquer. Às vezes digo a mim próprio, em alturas melhores: se voltar a acontecer vou fazer apenas isto, algo simples, para não me esquecer. Mas nunca resulta. Não me lembro. Talvez escrevendo num papel... Não dá. O problema é que tudo muda e o que resulta hoje não resulta amanhã. É como com as crianças. É preciso ser flexível. Mas como ser flexível quando se está deprimido e não se consegue fazer nada?
Felizmente também, as minhas "depressões" não duram muito. O melhor a fazer é esperar que passem. Mas até isto esqueço nessas alturas. Parece que nunca vai passar. Quando o lume está a arder é fácil dirigir a chama. Mas e quando falta a faísca que o acende?
O que me ajuda? O Budismo. É natural existir insatisfação. É o dukkha. Sem sofrimento não pode existir compaixão pois não se tem oportunidade de sentir o que os outros também sentem. Por isso a "depressão" é de certa forma uma coisa útil.
Mas também é tão horrível. Especialmente quando não parece haver causa nenhuma além do dukkha. E por vezes procuramos inventar uma causa mais aceitável.
Aceitar o sofrimento como sendo algo natural em vez de uma doença, é então a primeira coisa que me ajuda. Além da aceitação é sentir que não tenho que fazer nada. É esperar que se auto-cure, como acontece com as feridas.
Finalmente, é uma oportunidade para investigar o sofrimento. Que de facto, devido ao sofrimento, não consigo aproveitar...
Resumindo: aceitar, esperar que passe e se possível investigar enquanto dura.
Pra próxima tenho que me lembrar disto...
segunda-feira, março 10, 2008
a great elephant in the deep forest
But if you do not find an intelligent companion, a wise and well-behaved person going the same way as yourself, then go on your way alone, like a king abandoning a conquered kingdom, or like a great elephant in the deep forest. - Buddha...
Um sonho
Um homem falava para um grupo de pessoas, estavam de pé numa colina com relva. Afastei-me a tentar que ninguém me visse. Não queria parecer mal educado. Palavras, ideias, crenças... Tudo é possível, só mesmo a abertura a todas as possibilidades. E assim consegui... Sem tentar encaminhar a minha descoberta, descobri. Descrobi como se faz para voar, como nos sonhos. É no momento em que se fica mais leve, que ao cair para a frente se desce lentamente, mas não se chega ao chão. A leveza e alegria fizeram-me subir mais, e subi para cima dos cabos electricos. São sempre um problema quando se levanta voo. Passei para o lado de cima e olhei para a colina que descia. Havia mais cabos electricos à frente. Não sei como voar para ali e mostrar às pessoas... e acordei. Afinal, mais uma vez, era num sonho que voava...
sábado, fevereiro 23, 2008
Libertar todos os seres do sofrimento

O que torna o budismo tão interessante no mundo ocidental é que não entra em conflito com o conhecimento científico, complementa-o. É o facto de o essencial no budismo ser desprovido de crenças. Existem aspectos a que se da mais ênfase numas culturas e outros noutras. No entanto o essencial faz sentido em qualquer lado. Por vezes vejo o budismo como a filosofia prática com o mínimo de pressupostos, que torna a vida com sentido. É bastante razoável aceitar que todos os seres sofrem e querem libertar-se do sofrimento. No livro "Buddhism without Beliefs", Stephen Batchelor defende que o budismo continua a fazer sentido mesmo sem as crenças que já existiam antes do Buda, nas sociedades agora budistas, como os renascimentos e coisas afins.
A observação do Buda de que aquilo que diz não é para ser aceite sem ser verificado antes, ou a do Dalai Lama que diz que se a ciência provar qualquer coisa que se oponha a um conhecimento budista então o budismo deve-se adaptar e assimilar os novos factos, são cruciais a meu ver. Note-se que, de qualquer modo, para ao menos experimentar o que diz o Buda, é preciso acreditar um pouco que talvez resulte. Para isso é preciso que me convença intelectualmente de que pode resultar ou é preciso que eu veja, olhando para ele, que com ele resulta.
Estou convencido de que um aumento da sabedoria e compaixão, no sentido budista, é favorável à minha felicidade e dos seres há minha volta. Não sei se posso beneficiar todos os seres apenas dedicando coisas ao beneficio de todos os seres. Mas acredito que se conseguir cultivar uma intenção autentica nesse sentido então talvez possa progressivamente transformar-me a mim próprio, numa pessoa mais calma, sábia e compassiva, ao lado de quem os outros se possam sentir bem. As pessoas à minha volta podem ser beneficiadas por isso. Pode-se gerar uma cadeia de eventos que beneficie muitos seres, não sei se todos.
Como é que uma pessoa se transforma? É escrevendo estas coisas num blog? Talvez também. Mas parece-me que a atenção plena durante o dia e a prática de meditação são por enquanto a melhor técnica que se conhece.
E o Prozac, que é mais rápido? Eheh. As drogas em vez de nos acordarem mergulham-nos num sonho ainda mais profundo.
Então a técnica é: observar e manter a calma. Praticar a observação na meditação sentada. E depois observar durante o dia as sensações, os pensamentos, as emoções. Procurar viver no presente em vez de mergulhado em recordações editadas ou filmes de um futuro sempre improvável. Isto sempre com moderação. Sem me julgar por não estar atento mais tempo, por não ser grande praticante. Vou fazendo o que posso, por vezes não é o melhor e noto apenas. É preciso gentileza a lidar também connosco próprios. Em caso de grande agitação emocional o melhor é não agir. Primeiro fazer pranayama, respiração abdominal. O abdómen distende e contrai, ficar só a observar isso. E depois de restablecer a calma, fazer qualquer coisa acertada.
E se quiseres criar companheiros de sangha, não tentes convence-los intelectualmente. Transforma-te que vêm ter contigo quando te virem. Não é tentando que as pessoas se tornem budistas que as podemos ajudar a libertarem-se do sofrimento...
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
O uso da palavra

No budismo diz-se que se não podemos dizer algo que seja útil a alguém então mais vale manter "nobre silencio".
E ser útil aqui tem um significado claro. Tento aceite o axioma de que todos os seres sofrem, podemos então falar com a intenção de lhes diminuir o sofrimento.
Tudo isto faz sentido, mas... quem é que se limita a falar movido apenas por esta intenção? Falamos por falar, por vezes distraídos, e por vezes dizemos coisas que fazem os outros sofrer.
Acabei há pouco tempo de ler o livro Domar o Tigre, de Akong Tulku Rimpoché. Não se consegue domar o tigre à força. Tem que ser com delicadeza, por vezes deixando-o um bocadinho livre... E às vezes faz disparates. Mas é preciso aceitar e ir fazendo pequenos progressos...
E por vezes falamos sem pensar, e falamos por falar, nós que não somos budas, despertos que a todo o instante conseguem fazer o mais apropriado para ajudar a libertar os seres do sofrimento.
Não são muito poderosos, os budas, que não conseguem despertar os outros, mas apenas indicar-lhes um caminho para que eles o percorram a custo e acabem por despertar também...
É preciso algum controle no uso da palavra. Mas também é preciso soltar a intuição, ou o tigre, ou seja o que for de vez em quando, e por vezes as palavras que saem não são movidas pelas melhores intenções. Acontece, basta notar que acontece, não me julgar. Já sei que não sou perfeito, vou apenas continuar a investigar, a notar, talvez faça pequenos progressos.
Ah... às vezes ajuda escrever... clarifica o espírito. Se calhar devia escrever estas coisas num ficheiro em vez de um blog. Oh... nada a esconder, ninguém é forçado a ler. E é sempre possível que seja útil, sabe-se lá.
E ser útil aqui tem um significado claro. Tento aceite o axioma de que todos os seres sofrem, podemos então falar com a intenção de lhes diminuir o sofrimento.
Tudo isto faz sentido, mas... quem é que se limita a falar movido apenas por esta intenção? Falamos por falar, por vezes distraídos, e por vezes dizemos coisas que fazem os outros sofrer.

Acabei há pouco tempo de ler o livro Domar o Tigre, de Akong Tulku Rimpoché. Não se consegue domar o tigre à força. Tem que ser com delicadeza, por vezes deixando-o um bocadinho livre... E às vezes faz disparates. Mas é preciso aceitar e ir fazendo pequenos progressos...
E por vezes falamos sem pensar, e falamos por falar, nós que não somos budas, despertos que a todo o instante conseguem fazer o mais apropriado para ajudar a libertar os seres do sofrimento.
Não são muito poderosos, os budas, que não conseguem despertar os outros, mas apenas indicar-lhes um caminho para que eles o percorram a custo e acabem por despertar também...
É preciso algum controle no uso da palavra. Mas também é preciso soltar a intuição, ou o tigre, ou seja o que for de vez em quando, e por vezes as palavras que saem não são movidas pelas melhores intenções. Acontece, basta notar que acontece, não me julgar. Já sei que não sou perfeito, vou apenas continuar a investigar, a notar, talvez faça pequenos progressos.
Ah... às vezes ajuda escrever... clarifica o espírito. Se calhar devia escrever estas coisas num ficheiro em vez de um blog. Oh... nada a esconder, ninguém é forçado a ler. E é sempre possível que seja útil, sabe-se lá.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
The finger pointing at the moon is not the moon
Esta celebre frase de Thich Nhat Hahn...
Mas temos sempre tendencia a ficar a olhar para o dedo.
Tenho andado a pensar que existe uma vertente mais cientifica do budismo, a que mais se ajusta a mim, e existe outro budismo, com as suas crenças. Ocorre-me sempre a ideia do Buda de não acreditar em nada sem verificar...
Mas de facto é preciso acreditar um bocadinho que talvez funcione, ao menos para por à prova. Convençam-me intelectualmente. Faz sentido? Ok, então vou testar. Senão como começaria a meditar?
Mas renascimentos, milagres, deus... Simplesmente não é o dedo que me mostra a direcção da lua. Não a mim, mas pode mostrar a muita gente.
Mas o que é mesmo preciso é esquecer o dedo, os dedos, e procurar ver para onde apontam...
Observar, observar, não julgar, não querer mudar nada, apenas notar... Faz sentido, vou continuar...
Mas temos sempre tendencia a ficar a olhar para o dedo.
Tenho andado a pensar que existe uma vertente mais cientifica do budismo, a que mais se ajusta a mim, e existe outro budismo, com as suas crenças. Ocorre-me sempre a ideia do Buda de não acreditar em nada sem verificar...
Mas de facto é preciso acreditar um bocadinho que talvez funcione, ao menos para por à prova. Convençam-me intelectualmente. Faz sentido? Ok, então vou testar. Senão como começaria a meditar?
Mas renascimentos, milagres, deus... Simplesmente não é o dedo que me mostra a direcção da lua. Não a mim, mas pode mostrar a muita gente.
Mas o que é mesmo preciso é esquecer o dedo, os dedos, e procurar ver para onde apontam...
Observar, observar, não julgar, não querer mudar nada, apenas notar... Faz sentido, vou continuar...
Subscrever:
Mensagens (Atom)