sexta-feira, setembro 01, 2006
A primeira nobre verdade
Bom, parece que voltei ao ponto de partida, a primeira nobre verdade, a existência do sofrimento. Pode-se tentar ignorar, esquecer, procurar distracções, ou aceitar as coisas como são. Vou tentar manter-me na segunda opção. A próxima "distracção" tem que ser a própria vida... Mas é mesmo assim, dizem que não se caminha em linha recta, é mesmo em círculos. Por vezes mais perto do centro, outras mais longe, e nem sabemos bem a que distância estamos, é persistir, continuar e pronto...
Insegurança
E agora? O problema do pão está resolvido. Tenho que arranjar qualquer outra coisa para me distrair do momento presente. O trabalho a sério começa já para a semana. Vais trabalhar a dobrar no primeiro semestre e vais para Londres no segundo. Este momento é muito esta última frase. Mas não é isto que toda a gente faz? Arranjar uma distracção qualquer, que seja simples, que não possa causar grandes problemas? Mas de preferência mais "importante" que fazer pão numa máquina, eheh. Bom, vamos lá pôr esta criatura insegura a respirar fundo de cabeça pra baixo, sirsasana, pode ser que melhore, pode ser que a perspectiva mude, afinal fica tudo de cabeça pra baixo. E que este instante inclua menos o amanhã próximo .
O pão, finalmente
Páo de azeiotonas e oregãos, sabe mesmo bem.
Sempre adorei pão (alentejano) com azeitonas, tinha que experimentar esta receita!
Já foram vários pro lixo. A quantidade ideal de ingredientes, sal, água, fermento, tornou-se uma pesquisa cientifica. Mas finalmente a solução.
Afinal é simples, basta fazer exactamente como diz neste livro, que vendem na fnac, e usar fermento seco (fermipan). Com fermento fresco é complicado. De qq modo usa-se muito menos fermento nestas máquinas do que para fazer pão normalmente, e deve ser mais saudável, além de saber melhor que aqueles ocos das padarias.
Sinto-me um grande paneleiro!
Sempre adorei pão (alentejano) com azeitonas, tinha que experimentar esta receita!Já foram vários pro lixo. A quantidade ideal de ingredientes, sal, água, fermento, tornou-se uma pesquisa cientifica. Mas finalmente a solução.
Afinal é simples, basta fazer exactamente como diz neste livro, que vendem na fnac, e usar fermento seco (fermipan). Com fermento fresco é complicado. De qq modo usa-se muito menos fermento nestas máquinas do que para fazer pão normalmente, e deve ser mais saudável, além de saber melhor que aqueles ocos das padarias.
Sinto-me um grande paneleiro!
sábado, agosto 26, 2006
e o pão
domingo, julho 30, 2006
sábado, julho 29, 2006
Nadar no mar
E já lá estive hoje outra vez.
É engraçado como nadar no mar pode ser uma experiência serena, relaxante, quase meditativa. Apesar da água gelada, das ondas fortes, dos surfistas para contornar, do nevoeiro serrado, das bandeiras vermelhas... Parece que os nadadores já me conhecem e ignoram, o que é bom... a não ser que venha a precisar da ajuda deles por algum motivo.
Não há desconforto. Ou talvez haja, mas não me afecta. Acho que existe uma palavra em sanscrito ou pali para descrever esta atitude. A mente prevalece, o sofrimento físico não tem força. Claro que só a até certo ponto.
Em vez de nos queixarmos ao mínimo desconforto, podemos sempre usar esta atitude. Não me lembro da palavra, é qualquer coisa do yoga, mas acho que a ideia é não nos indentificarmos com o sofrimento físico. Não exige esforço mas abertura, é só observar mais coisas...
É engraçado como nadar no mar pode ser uma experiência serena, relaxante, quase meditativa. Apesar da água gelada, das ondas fortes, dos surfistas para contornar, do nevoeiro serrado, das bandeiras vermelhas... Parece que os nadadores já me conhecem e ignoram, o que é bom... a não ser que venha a precisar da ajuda deles por algum motivo.
Não há desconforto. Ou talvez haja, mas não me afecta. Acho que existe uma palavra em sanscrito ou pali para descrever esta atitude. A mente prevalece, o sofrimento físico não tem força. Claro que só a até certo ponto.
Em vez de nos queixarmos ao mínimo desconforto, podemos sempre usar esta atitude. Não me lembro da palavra, é qualquer coisa do yoga, mas acho que a ideia é não nos indentificarmos com o sofrimento físico. Não exige esforço mas abertura, é só observar mais coisas...
Jigmé Khyentse Rinpoché

Talvez nunca vá memorizar este nome, mas vai ser difícil esquecer a experiência de estar sentado perto dele a ouvir.
Começa por dizer que não é um mestre realizado e que nem é muito erudito. E depois conta as quatro nobre verdades como se fossem uma história, a história da nossa vida. Acompanha as ideias com exemplos adequados e divertidos. Na verdade o mais interessante não é o que disse mas sim o modo como o disse.
Sentado sem qualquer pressa, como se não tivesse chegado e nem fosse embora. Com um pequeno portátil no colo, cantarola uns mantras baixinho. Com a sala muito cheia, tive que me sentar à frente, perto do senhor monge. Pega no microfone, sem apego ou indiferença. Começa a falar, num inglês perfeito, claro, pausado. Fiquei surpreendido, como se não esperasse aquilo, vindo do Tibete devia haver alguma coisa estranha. Mas não, pelo contrário, sem quaisquer pretensões, a tranquilidade é autentica, vê-se, parecia muito familiar. Adequa claramente o que tem a dizer a quem está a ouvir, como faria o Buda. Conta as quatro nobres verdades como uma perspectiva, dizendo várias vezes "deste ponto de vista". É uma forma de vermos as coisas, nada mais.
As quatro nobres verdades: a existência do sofrimento, a causa do sofrimento, o caminho para a libertação do sofrimento, e a cessação. Descreve o estado iluminado, como sendo um estado em que não há sofrimento mental nem causas do sofrimento. É fácil ver que se pode reduzir o sofrimento e as suas causas, e talvez consigamos imaginar que desaparecem, e a mente fica totalmente livre. E para caminhar neste sentido é preciso treinar a mente, meditando.
Alguns exemplos: Quando alguém nos dirige palavras menos boas, podemos vê-las como uma flecha que fica cravada no coração. Em vez de retirarmos a flecha, pegamos nela e começamos a abrir um buraco no coração, em várias direcções. Exemplifica a ignorância, o não sabermos como lidar com as situações e o apego a falsas soluções como a reacção de cólera que nada resolve. Se alguém nos rouba o lugar do estacionamento ficamos zangados, além de ficarmos sem lugar ainda nos consegue roubar espaço na mente. Seria melhor sermos bondosos mesmo após perder o lugar. Outro exemplo de apego: alguém que quando tem sede, bebe coca-cola. Bebendo muita coca-cola não se fica sem sede, seria melhor beber água. Mas por vezes é difícil acabar com o apego, da ignorância resulta o apego, o apego a falsas soluções para os problemas. E o exemplo do futebol. O jogador italiano diz ao frances: vai para a rua, e o frances responde: está bem, eu vou. O italiano soube escolher as palavras certas para produzir o efeito desejado no frances.
Gostava de escrever tudo aqui para não me esquecer... mas não me lembro da perfeita sequência de palavras e não vou tentar. Ficam alguns exemplos, uma pequena brisa da imagem em vez de toda a experiência, que seria impossível transformar em letras.
E depois das quatro nobres verdades terminou, e o Paulo Borges, repete em português as palavras do mestre, com uma precisão inacreditável. Mas após terminar ainda dá uma sugestão:
Não interessa nada dizer que se é budista. O importante é desenvolver um bom coração. Ser bondoso não é algo que temos que fazer ou devemos fazer por razões morais. É agradável ser bondoso. Pela manhã ao acordar observa, vê se te sentes bondoso. E pensa numa pessoa de que gostas, imagina a sua cara... se for bom, se for agradável, se te sentires feliz, continua... Agora pensa que tens o mesmo sentimento por todos os seres... imagina... Não vai haver tempo para fazer outra coisa senão ser feliz...
Não consigo exprimir o que vinha com as palavras... não é possível... mas tocou-me tão a fundo... meditar e desenvolver um bom coração, é "só" isso...
terça-feira, julho 25, 2006
Desejo
No momento em que satisfazemos um desejo há uns instantes de verdadeira satisfação. Depois de comer, depois de beber, depois de urinar, depois de um orgasmo. Em que consiste? Na ausência de desejo! Depois surge outro desejo... e insatisfação... e o ciclo continua... o próprio ciclo é sofrimento...
E procuramos repetir satisfações momentâneas que já conhecemos e criamos desejáveis objectos ilusorios que ainda não conhecemos, somos como fantoches que giram em ciclos movidos pela ânsia, sem sossego, sem paz, uma tristeza de fundo... E diz-se que a vida é assim, não adianta lutar contra a natureza, são os desejos que nos movem, que nos permitem continuar...
E que desejos? Os que nos fazem correr em ciclos à procura de satisfações momentâneas e nos retiram a tranquilidade... ou o desejo de tranquilidade, de enfraquecer o ciclo dos desejos geradores de sofrimento...
A ideia é interessante: "verdadeira alegria existe nos instantes em que não há desejo"...
E procuramos repetir satisfações momentâneas que já conhecemos e criamos desejáveis objectos ilusorios que ainda não conhecemos, somos como fantoches que giram em ciclos movidos pela ânsia, sem sossego, sem paz, uma tristeza de fundo... E diz-se que a vida é assim, não adianta lutar contra a natureza, são os desejos que nos movem, que nos permitem continuar...
E que desejos? Os que nos fazem correr em ciclos à procura de satisfações momentâneas e nos retiram a tranquilidade... ou o desejo de tranquilidade, de enfraquecer o ciclo dos desejos geradores de sofrimento...
A ideia é interessante: "verdadeira alegria existe nos instantes em que não há desejo"...
segunda-feira, julho 24, 2006
Renascimentos
Já tinha usado a expressão "budismo sem renascimentos" e já me tinha ocorrido que talvez os renascimentos não fossem essenciais no budismo pois no tempo do Buda havia a reencarnação, e naturalmente integra-se qualquer coisa... Mas não sei grande coisa e por vezes parece que os renascimentos são de algum modo essenciais para a consistência da lei da causalidade.
Pergunto "uma constante no ensinamento de Buda é que não é suposto acreditar mas verificar, experimentar, no entanto não vejo maneira de verificar se há renascimentos, não me lembro de vidas anteriores..." A resposta "é uma boa questão, é verdade, o ensinamento é não dogmático, alguns autores dizem que os renascimentos podem vir do hinduísmo vigente no tempo de Buda, e não são essenciais no budismo...", deu-me algum alívio.
Agrada-me a delegação do porto da união budista, devo ir lá mais vezes. Tenho lido tanto sobre o assunto e é bom ouvir falar alguém sobre isso. Não me importo muito se aplico ou não o rótulo "budista" a mim próprio. Mas não estou minimamente interessado em rituais ou votos. Já verifiquei algumas técnicas, resultam, são-me úteis. Várias fontes, cada um bebe mais da que quer, esta é a que mais me agrada, a mais natural para mim, é só isso...
Pergunto "uma constante no ensinamento de Buda é que não é suposto acreditar mas verificar, experimentar, no entanto não vejo maneira de verificar se há renascimentos, não me lembro de vidas anteriores..." A resposta "é uma boa questão, é verdade, o ensinamento é não dogmático, alguns autores dizem que os renascimentos podem vir do hinduísmo vigente no tempo de Buda, e não são essenciais no budismo...", deu-me algum alívio.
Agrada-me a delegação do porto da união budista, devo ir lá mais vezes. Tenho lido tanto sobre o assunto e é bom ouvir falar alguém sobre isso. Não me importo muito se aplico ou não o rótulo "budista" a mim próprio. Mas não estou minimamente interessado em rituais ou votos. Já verifiquei algumas técnicas, resultam, são-me úteis. Várias fontes, cada um bebe mais da que quer, esta é a que mais me agrada, a mais natural para mim, é só isso...
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