sábado, janeiro 21, 2006

Morte

Parece que os budistas não temem a morte. Nem põem em causa se há mesmo renascimento, a coisa integra-se muito naturalmente na filosofia deles. Mas não é por haver renascimento que não temem a morte. De facto, conseguindo atingir o nirvana, não se renasce mais. A ideia é portanto "morrer de vez".

Às vezes parece-me que, por instantes, entendo qualquer coisa... Não há nada de permanente, renasce-se a cada instante nesta vida, não sou o mesmo de um instante para o outro, nem sou diferente. Sou apenas a combinação dos cinco grupos (matéria, sensações, percepções, formações mentais e consciência), os quais estão constantemente em mudança, não se mantendo iguais por dois momentos consecutivos. A todo o momento nascem e morrem.

Um ser é a combinação dos cinco grupos, de energias físicas e mentais que não deixam de existir quando o corpo físico deixa de funcionar. "O querer, a intenção, o desejo, a sede de existir, de continuar, de se tornar cada vez mais e mais, é uma força tremenda que movimenta vidas inteiras, existências inteiras, e move até o mundo no seu todo. Esta é a mais poderosa força, a mais poderosa energia do mundo." Esta energia continua a existir quando o corpo deixa de funcionar, manifesta-se noutra forma, produzindo re-existência. O ciclo de continuidade permanece enquanto existir esta força motriz. Poderá unicamente ser interrompido quando a "sede" for eliminada pela sabedoria. Quando se "vê" a verdade a "sede" termina. Nirvana.

Não há alma! Portanto nada de permanente, imutável, passa de um momento para o seguinte. Assim, nada de permanente ou imutável passa de uma vida para a seguinte. Um homem de sessenta anos não é a mesma pessoa que a criança de há sessenta anos, nem uma pessoa diferente. O mesmo acontece com uma pessoa que morre aqui e renasce noutro lugar.

Alguns entraves a compreender o pensamento budista são claros, outros nem tanto. Para a ciência não há mais que matéria, leis físicas: morre o corpo, morre o cérebro e o autómato finito pára. Aplicamos sempre o princípio do terceiro excluído, e algumas coisas, bom, não sabemos provar. Mesmo quem não é crente tem o pensamento afectado pela ideia de existir alma, qualquer coisa de transcendente, permanente, que existe além do corpo, um "eu". Não se suporta a impermanência, a não existência intrínseca... Não há um "eu" que se perde com a morte, talvez baste "ver" isto.

Hum... tanto interesse tenho pela morte. A ideia não é andar a pensar em coisas tristes. A morte existe, e pode-se aprender a ve-la de outras formas. Não pensemos nisso, não me satisfaz... Acho que quero viver no presente mas com a visão do conjunto... deve ser da idade avançada... a morte aproxima-se...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Coisas sem nexo

O que queres ser quando fores grande? Eu sou, agora. Quero apenas continuar a ser.

"Eles não sabem o que querem..." E eu? Sei o que quero? Quero evitar o sofrimento e ser feliz. "Eles"... querem o mesmo. É tão simples.

A "sede" é a causa do sofrimento. Vamos fazer coisas, divertir-nos, aproveitar a vida... Correr, movidos pela "sede", pelo desejo obstinado, de ser, de vir a ser, pela insatisfação... até parar, eventualmente... e talvez encontrar a paz, por instantes, dentro de nós, quando não fazemos coisa nenhuma...

Amar todos os seres como uma mãe ama o seu filho único...

Bom, há menos sofrimento quando há mais paz, paciência, tolerância, abertura, quando o amor flui e não alimentamos sentimentos negativos, isso é certo, é um caminho...

O Ensinamento de Buda, de Walpola Rahula


Ando a re-ler este livro. O meu preferido sobre o assunto. Neste momento estou com vontade de escrever por aqui coisas, deste livro, ou outras sobre o assunto, que me lembre, sem qualquer ordem, conforme me apeteça...

Uma religião sem Deus, sem almas. Que nos diz que a salvação é possível durante esta vida, não só após a morte. A salvação é o fim do sofrimento, apenas. Nirvana.

A morte existe! É inevitável! Como isto é motivador. Se não há renascimento o sofrimento termina. Se há, continua, e podemos continuar a crescer interiormente noutra vida, até acabar com ele.

A "sede", a ilusão da permanência, a ignorância, leva ao sofrimento. Nirvana é "só" ver as coisas como são. É encontrar a verdadeira felicidade, o estado de paz que existe em nós e pode ser descoberto.

Não agir com a energia da revolta quando confrontado com uma situação revoltante. Voltar primeiro ao estado natural, de paz, e agir depois... em paz...

domingo, agosto 21, 2005

Fui salvo!

Esta manhã fui salvo por um nadador salvador de mota de água. Ia eu calmamente do paredão para o 7o ano quando apareceu uma mota de água a grande velocidade. Fiquei preocupado pois pensei que me ia passar por cima. Depois o gajo viu-me e veio salvar-me. Eu disse-lhe que estava tudo bem e estava só a nadar mas ainda assim convidou-me a subir para cima da prancha a reboque da mota. Após perguntar se estava mesmo a falar a sério lá subi. Foi mesmo divertido, muito perto da água a velocidade parece enorme. Ao chegar perto da areia desci e percebi que havia uma multidão a ver umas pessoas em dificuldades. Acho que pensaram que eu fazia parte do grupo e já tinha sido arrastado por uma terrível corrente.

As pessoas entram em panico porque não se rendem. Tantas vezes que penso que estou demasiado longe e com demasiado frio para conseguir voltar para a praia. Mas basta relaxar, sentir que não há nada a perder pois não há nada que realmente se tenha, basta ver as coisas como são. A energia surge então, e só para nadar... calmamente. Deve ser com teorias como esta que o pessoal depois se afoga.

Um evento a registar, diverti-me.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Rendição

Aumentar o silêncio entre pensamentos, sentir o silêncio... a paz. Momentos de paz ao meditar. Paz que fica... como uma suave melodia de fundo.

No contacto com as pessoas não reagir... ser, estar presente... rendido ao presente... o apoio e a oposição geram conflitos... Não dualidade... aceitação... rendição.

Tomar a rendição como ponto de partida de qualquer acção... e qualquer acção é uma acção positiva... aceitar e depois agir, naturalmente... em paz... rendido ao presente...

No momento... o vazio... o infinito... a paz... o amor. A rendição ao agora é não oferecer resistência à vida e sentir assim a alegria que está para além da felicidade e da tristeza. É a única forma de estar realmente vivo.

Rendo-me! :-)

sábado, julho 16, 2005

Não eu

Os pensamentos que por mim passam, não sou eu. As emoções, não sou eu. As sensações, não sou eu. O que sou eu? Um fluxo de pensamentos, emoções, sensações... Não há nada permanente, um eu. Um pensamento sucede outro, porquê procurar coerencia, um eu? Ao meditar queremos acabar com a tagarelice da mente. Conseguir ver para além das palavras. Palavras... perde-se sempre tanto... alguma vez irá existir uma forma de comunicação melhor? Ao reflectir, procuramos consistência, um eu. Não há contradições, há apenas estados diferentes no fluxo. Para quê uma imagem coerente para os outros? Natural, sem crosta, quem não gostar de mim não gosta, e quem gostar, é de mim, do fluxo que sou eu, que gosta. E ao remover tudo o que impede o acesso directo ao fluxo, que se veja um fluxo que caminha para o amor universal.

Enfraquecendo cada vez mais o ego, poderei sentir mais vezes que "não quero nada, não espero nada, não desejo nada, sou livre".

quinta-feira, julho 14, 2005

O carvalho no jardim

O que é que me aconteceu afinal? Vi um programa de televisão sobre a vida de Buda. Fiquei estupefacto por constatar que há dois mil e quinhentos anos exitiu um individuo que pensou de forma tão semelhante à minha e partiu da situação em que eu estava. Quero conhecer budistas. O mais próximo que encontro é ioga e meditação. Aulas de ioga, meditação, já não sou a mesma pessoa. Levarei isto demasiado a sério? Uma paixão, o ioga, o renascimento. Vivo sem stress, despreocupado. O futuro não me preocupa, não espero nada, não desejo nada. Estou por aqui, descansado. Não me importa se vivo, se morro, e assim sinto-me bem. Tanta leveza. Onde irei pousar? Quem me dera ficar sempre assim, a pairar, até desaparecer subitamente.

Sinto o corpo, o alinhamento do corpo quando caminho. Como pouco, devagar, a fome não me incomoda, evito comer, como apenas para evitar problemas de nutrição, perco peso, e quero perder peso. Medito. Procuro o lago tranquilo, o fim da razão, a experimentação directa, a iluminação? Não sei se procuro alguma coisa. Estou simplesmente por aqui, a caminhar, sem pressa.

Escrevo sem pensar, não quero pensar. Não falo da mesma forma com as pessoas. Já não me protejo. Cada vez temo menos o ridiculo, enfraqueço o ego, sinto-me livre. Escrevo o que me apetece, não temo julgamentos. Basta-me ser sincero, considerem-me ingenuo, ridiculo, pouco me importa. Quero apenas ver as pessoas como semelhantes, toca-las directamente. Boa intenção, sem medo.

Ioga e meditação, para alguém predisposto, tanta mudança em tão pouco tempo. É pena não ter vindo parar aqui mais cedo. Uma caminhada a passos largos e serenos. Onde irei parar? Irei parar?

O carvalho no jardim

Ou seja

Paixões são fabricações do espirito. O amor constroi-se.

Tenho que dizer isto muitas vezes, tipo mantra.

domingo, julho 10, 2005

A Arte do Amor

Jiro foi camponês e depois samurai. Matou o senhor de um feudo que conquistou, o pai de Jun. Decidiu casar com Jun para conseguir a confiança do povo do feudo conquistado. Num casamento assim não pode haver felicidade.

Uma concubina é incubida de ensinar a ambos a Arte do Amor, um segredo das melhores concubinas, que serve para que dois amantes aprendam a amar-se.

Começa por ensinar-lhes um pouco de Tantra, a parte que se refere ao sexo dos deuses.

"No Tantra não há pecado. A única falta é não deixarmos o amor fluir. E essa é uma grande falta. Uma falta que nos deixa vazios e desorientados. Com amor, sentimo-nos preenchidos e felizes. Também preenchemos o outro e geramos felicidade à nossa volta.

No Tantra não há culpa. A culpa é um conceito cómodo de quem não sabe compreender um ser humano. É um conceito ignorante e gerador de injustiças..."

Há qq coisa em comum com a canção: "... o amor, não é o tempo nem é o vento que o trás, o amor, é o momento em que me dou, em que te dás..."

segunda-feira, julho 04, 2005

OM AH HUNG

Um budista, que fala com o coração aberto. Eu nunca abraço ninguém, mas despedi-me dele com um abraço. Também quero abrir o meu coração e abraçar todas as pessoas do mundo!