sábado, abril 11, 2015
Pai mata filho bebé à facada
quarta-feira, junho 05, 2013
Esforço sim, mas apropriado
Alguns colegas meus em Coimbra passavam os dias a estudar. No entanto eu achava que não se esforçavam. Pareciam acreditar que ficar muito tempo a olhar para os cadernos teria que produzir bons resultados. Tinham fé em algum misterioso sistema de retribuição. E depois chumbavam.
Eu esforçava-me. Procurava entender completamente a teoria. Em muitas cadeiras nem ia às aulas teóricas. Estudava por fotocópias de cadernos de vários colegas. Às aulas práticas não ia e nem olhava para os cadernos. Isto em Álgebra não foi boa ideia pois foi dada uma técnica só nas práticas que eu não tinha maneira de saber. Além do esforço para entender a matéria havia o esforço de decifrar os apontamentos com erros dos meus colegas. Estudava pouco tempo ao longo do ano. Passava a maior parte do tempo nos copos. Mas quando chegava a altura dos exames esforçava-me mesmo.
Acabei o curso e recebi uma medalha. Fui o aluno com melhor média no curso de matemática naquele ano. Lembro-me que entravam 145 por ano naquela altura. Quantos saiam por ano não sei. Muita gente mudava de curso. Se calhar só terminei eu, eheh.
A espiritualidade é algo diferente de tudo o resto. Mas há coisas em comum. Algumas pessoas ficam a olhar para a ponta do nariz à espera de alguma recompensa divina. Ou fecham-se num perspectiva qualquer convencidas que estão a "aprofundar" algo, seja o espiritismo, o budismo, ou outro "ismo" qualquer. Esperam retribuição, mas vão chumbar. Acredito que qualquer "ismo" pode até ajudar as pessoas a "abrirem-se", mas o que acontece na prática muitas vezes é que se "fecham".
Isto é mais difícil que fazer um curso de matemática em Coimbra, mas ainda não desisti. O esforço correcto implica um certo desconforto. Por vezes para entender algo na matemática é preciso largar uma perspectiva. Deixar de olhar daquela maneira, o que nem sempre é fácil, e causa desconforto. Mas é o esforço correcto. E quando se vê a coisa sob outro ponto de vista o problema resolve-se.
Podemos continuar a olhar para a ponta do nariz, mas de um modo criativo. Não fazer sempre a mesma coisa. Como disse o Einstein, "Insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes".
E como somos criativos a olhar para a ponta do nariz? Como não ficamos só escondidos num cantinho? Como largamos perspectivas? Como permitimos o desconforto? Como deixamos de querer organizar a verdade? Como largamos tudo?
Há um truque qualquer. Mas é daqueles que não se podem ensinar, cada um tem que descobrir dentro de si. Ficar agarrado a ideias, a caminhos, não resulta, é mais ficar à deriva, ficar à beira da loucura. Um dia ainda descubro o truque... ou fico louco! :)
terça-feira, janeiro 29, 2013
Meditação e escolha das práticas
sábado, agosto 25, 2012
Abertura e Tolerância
quarta-feira, setembro 14, 2011
O "eu" e o "meu"
quinta-feira, setembro 08, 2011
Yoga Artístico
No mundo do yoga existem inúmeras escolas, mestres, linhagens, métodos, estilos. Há yoga para todos os gostos. Na prática de posturas há estilos mais estáticos em que abundam permanências e outros mais dinâmicos. A prática pode ser fisicamente leve ou extremamente exigente.
Há todo o tipo de religiões, filosofias e crenças associadas ao yoga. Num extremo existem as práticas extremamente esotéricas, o mundo pode estar povoado de deuses, energias, mantras e cores mágicas ou palavras sagradas. Noutro extremo há a prática em que se procura apenas estar presente, atento ao que está a acontecer. Em qualquer caso, uma das poucas coisas que parecem consensuais no yoga é que deve existir algum trabalho mental, ou espiritual, e não apenas físico.
Apesar de muitas escolas de yoga estão associadas a religiões ou filosofias, usualmente Hindus e Budistas, existem algumas mais abertas que não estão associadas a uma filosofia particular. Eu gosto de pensar que pelo menos o essencial da ética dos Yoga Sutras e do Caminho do Meio Budista, é algo comum às várias escolas. É pelo menos é esta a imagem do yoga que o Yoga Journal nos dá do yoga em geral.
É extraordinária a quantidade de designações de yoga existentes. Muitas designações parecem ser usadas por várias pessoas e desenvolvidas ao mesmo tempo de forma independente, como o Power Yoga ou o Acro-Yoga. Ainda agora pesquisei “Artistic Yoga” no Google e apareceu uma página do Bharat Thakur, como criador do Yoga Artístico (http://www.artisticyoga.com). Talvez existam ainda mais criadores do Yoga Artístico. Seja como for parece existir muito trabalho com qualidade em torno no yoga desenvolvido por inúmeras pessoas ao longo de muito tempo.
Dois dos aspectos que me agradam na escola de Yoga Integral, onde fiz a formação como professor de yoga, são a abertura de não estar associada a nenhuma religião e o excepcional cuidado e trabalho em torno da prática de posturas de yoga. Já vi outras coisas muito diferentes nestes dois aspectos.
Costumo praticar coreografias do Yoga Artístico fundado pelo Estevez Griego, conhecido no mundo do yoga como Swami Maitreyananda (http://www.artisticyoga.org). É um estilo de prática, dentro do Yoga Integral, em que se pretende estabelecer uma ligação entre o yoga e a arte. Há estilos de yoga em que se praticam coreografias fixas, como no Asthanga Vinyasa. No yoga artístico são criadas coreografias apropriadas para cada praticante. O resultado natural é uma prática fluída e bonita. Nesta prática, individual, em pares ou em grupo, ao ritmo da música, existe muita magia, é uma forma de expressão artística e de estar plenamente no aqui e agora. O resultado pode apenas sentir-se belo ou ser realmente muito belo, como mostram esta mulher e este homem.
Existem há muitos anos campeonatos de Yoga Desportivo. Além de método de prática, o Yoga Artístico, pela sua beleza, presta-se naturalmente para demonstrações e para estas “competições”. Surge assim o Yoga Desportivo. Pretende-se que a avaliação nestes campeonatos não seja como nos outros desportos. Como eu entendo, o espírito é mais de comemoração e partilha do que competitividade. Pretende-se que a avaliação seja espiritual. É assim por exemplo mais importante a alegria demonstrada pelo participante do que a sua flexibilidade. Claro que na prática não se pode definir como ou fazer objectivamente uma avaliação espiritual das pessoas, e assim avaliam-se as coreografias procurando ter em conta a espiritualidade. Mas na verdade, do meu ponto de vista, não importa muito quem ganha, se a atitude for apropriada todos ganham.
Ainda só participei em dois campeonatos mas conto participar em breve no campeonato Europeu de Yoga Desportivo, que já é o 13º e vai ser na Bulgária. Engraçado que, como a maior parte das pessoas interessadas por yoga, comecei por achar os campeonatos de yoga um perfeito disparate. O problema é que estamos muito centrados na cabeça. Claro que não é nada assim, como se pode ver por estes filmes do Campenato Português de Yoga Desportivo, foi o primeiro e realizou-se este ano em Aveiro: http://www.youtube.com/yogaarte. Na foto está a minha pequena yogi, que também participou.
quinta-feira, abril 07, 2011
Todas as emoções são dor?

Quando reflectia sobre a frase “todas as emoções são dor” apareceu na minha mente esta imagem, que embora não seja nova, surgiu agora como muito clarificadora.
Estou no mar, no meio das ondas. É óbvio que não consigo mudar as ondas do mar, por muito que seja a minha força de vontade, as ondas simplesmente não vão mudar a meu gosto. As ondas são as emoções. Elas simplesmente vão surgindo, não sou “eu” quem decide faze-las aparecer.
Se não estou atendo, no meio das ondas, surge de vez em quando uma onda violenta que me arrasta com força às cambalhotas e eventualmente atira-me contra a areia ou contras as rochas. Quando uma onda destas me atinge, estando assim distraído, não há nada a fazer, não dá para sair de toda aquela força que me arrasta e me domina. E além de todo o sofrimento que já existe neste percurso violento, por vezes ainda culmina num arremessar contra a areia ou mesmo contra as rochas. Assim é quando perdemos a visão do todo, estando completamente identificados com uma emoção destrutiva, completamente à mercê desta onda violenta. E além de todo o sofrimento que isto é por si só, permitimos por vezes que tenha consequências ainda piores. Estando atento talvez podesse ter mergulhado a tempo, passando por baixo da onda e evitando todo este sofrimento, ou talvez não.
Por vezes conseguimos apanhar uma boa onda e é muito bom apanhar uma onda destas. Mas mesmo aqui existe sofrimento, há tensão, há um saber que vai terminar, e pode haver uma inabilidade para sair da onda atempadamente, mais uma vez vem um arremesso contra a areia ou contra as rochas. E a seguir vem a ânsia por uma nova onda como esta, por mais deste prazer.
Este brincar nas ondas é o jogo da vida. Seja qual for a nossa actividade neste momento, as ondas continuam a surgir. Podemos estar distraídos e ser violentamente arrastados por elas. Ou podemos aprender sobre as ondas, observar, estar atentos. Podemos aprender a apanhar as boas ondas e a sair delas na altura certa. Estar atento não significa ser “controlado”, não há maneira de ficar estático no meio do mar, há sempre movimento, temos que acompanhar o movimento.
Não há maneira de parar as ondas, apenas podemos observa-las, aprender com elas informando a nossa intuição. Aprender a estar no mar quando as ondas estão boas e nas difíceis tempestades. E para aprender as ondas é preciso notar que existem, que por vezes nos levam, é preciso observar, é preciso meditar.
Isto parece tudo obvio mas o que é facto é que estamos quase sempre a fazer força para que não venham ondas que não gostamos, e para que venham daquelas ondas que gostamos. E por outro lado andamos distraídos, somos arrastados, e depois o mundo deixa de ser mundo, perde todas as cores, passa a ter apenas a cor daquela onda violenta que nos levou, e isto pode ter consequências desastrosas. Talvez todos males da humanidade advenham daqui. Da inabilidade dos homens para lidar com as ondas do mar.
sábado, abril 02, 2011
Yoga: uma religião para viciados sexuais

sexta-feira, dezembro 03, 2010
Ser mestre de si próprio

terça-feira, novembro 23, 2010
Workshop com Swami Maitreyananda e Campeonato Europeu de Yoga Artístico

Foi em Lisboa, no fim-de-semana passado. Finalmente percebi o que é uma linhagem do yoga. Não são conhecimentos, não são técnicas que passam, mas sim uma arte: a arte de ser feliz. É isso que o Estevez Griego passa as pessoas, com o seu genial sentido de humor aliado ao vasto conhecimento sobre Yoga.
Eu não entendia porque motivo a prática do Yoga Artístico me faz tão feliz. Existem várias formas de Yoga Artístico. A forma que pratico consiste essencialmente em explorar a beleza das posturas do yoga criando coreografias fluidas que envolvem posturas de yoga e cuidadas transições entre posturas, com roupas coloridas e música. É a prática em si que funciona, nem importam os resultados. Quando exprimimos através da arte o melhor que existe dentro de nós, somos flores que desabrocham. Nem importa muito se fazemos posturas de yoga muito bem ou não. É mesmo apenas a atitude, a intenção com que o fazemos. Expressar o que existe de belo em nós, deixar a criança interior sair e brincar, apenas fazer, sem pensar porquê. Na verdade continuo sem entender bem como funciona o Yoga Artístico. Só sei que esta prática, aliada a uma acção pura e bem-intencionada, me tem movido da mente para o corpo, do que penso para o que sinto, do dukkha para o sukha. Não me lembro de viver tão feliz, durante tanto tempo, em toda a minha vida…
E entendo agora que não são palavras que passam. E sinto-me muito grato ao Estevez, quem criou o Yoga Artístico, uma pessoa extraordinária que tive o privilégio de conhecer melhor este fim-de-semana, que iniciou a Juliana Brod nesta arte, outra pessoa extraordinária, que foi quem me tocou com o Yoga Artístico, com quem pratico, quase diariamente.
Foi também o 12º Campeonato Europeu de Yoga Artístico este fim-de-semana. Foi um grande desafio para mim participar. Os nossos resultados foram muito bons. Várias medalhas de prata e ouro! A Juliana ficou em primeiro lugar no Yoga Artístico individual, como era de esperar. E somos os dois campeões europeus de Yoga Artístico em pares! Não havia muitos participantes, mas estou determinado a promover o Yoga Artístico Desportivo (a variante direccionada para a “competição espiritual”) para divulgar o Yoga Artístico. Acredito que, tal como eu, devem existir outras pessoas para quem esta prática encaixa perfeitamente. No próximo ano deve ser na Bulgária. Estou lá caído!
segunda-feira, agosto 02, 2010
Pedro Kupfer e Advaita Vedanta
segunda-feira, maio 03, 2010
Palestra "Prática do Dharma"
Ontem dei uma palestra no espaço de Yoga, com este título, a mesma que preparei para o curso de Yoga Integral que estou a frequentar. Apareceu muita gente, apesar de não ter divulgado publicamente. Foi interessante e divertida a sessão de perguntas e conversa após a apresentação. O primeiro slide com o resumo:
Buda (O que descobriu)
O problema da palavra “Budismo” (Kalama Sutta)
Budismo (Quatro Nobres Verdades e Caminho do Meio)
Meditação (Os Dois Pilares)
Budismo e ciência (Em sintonia)
Prática Budista não Budista (O essencial)
quarta-feira, abril 28, 2010
Sofrimento outra vez
Nesta vida existe sofrimento, todos os dias, em cada instante! Alguns dias mais que outros. E isto é absolutamente normal.
Desde que ouvi falar do Buda que entendi que não quero caminhos de felicidades. É tão cansativo fingir que o sofrimento não existe. Vejo tantas estratégias de tanta gente, mais ou menos refinadas para tentarem manter-se na crista da onda, sempre em frenética actividade e em grande esforço. Vão morrer a correr ou parar um dia? As ondas sobem e descem!
Por falar em ondas, hoje já está bastante calor, é altura de voltar ao bodyboard...
segunda-feira, abril 26, 2010
Dhukka
De tempos a tempos volto à primeira nobre verdade: dhukka.
Existe sofrimento na existência humana. Estamos sujeitos à dor, envelhecimento, doenças e morte. E podemos tentar ignorar isto com distracções ou procurar viver a vida em pleno, também o sofrimento.
Raramente olho para a televisão, mas ontem à noite olhei para um daqueles programas que mostram como a vida das vedetas de televisão é plena de felicidade. Ficando a olhar para a televisão esquecemos facilmente que a nossa própria existência tem sofrimento. Talvez a solução seja ficar sempre a olhar para a televisão, fugir à vida e um dia morrer sem ter vivido...
Do mesmo modo que nos podemos abrir à dor física e notar cada sensação até que fique apenas a dor deve ser possível notar no corpo o sofrimento mental até que fique só o sofrimento mental. O que quer isto dizer?
terça-feira, abril 13, 2010
Onde está o bebé? Cá está ele!
Às vezes o bebé chora profundamente e grita... em silêncio. E não sabemos o que quer, o que tem, que mal o aflige...
segunda-feira, março 22, 2010
Retiro Zen com a Amy Hollowell
Fantástica experiência. No inicio davam-me vontade de rir aqueles gestos e rituais Japoneses todos. Depois comecei a tentar imitar. Ontem à noite já fiz todas as vénias ao Buda a sentir o que estava a fazer. O que senti foi "raios, o que ele fez é mesmo difícil" num misto de humor e respeito.
É paradoxal. O que ele fez foi "não fazer nada". Apenas observar. Ver, claramente, tudo o que há para ver, sem interferir, sem rejeitar nada. Parece tão fácil...
A palestra de ontem foi absolutamente genial. Foi uma palestra sobre Despertar. Parece ter dito tudo o que há dizer. Simplesmente criou o contexto ideal para a história com apenas duas palavras:
-Ananda.
-Yes.
A entoação do "yes" não consigo descrever aqui, mas tocou-me. Como se estivesse tudo ali, naquela resposta simples, directa, de Ananda.
sábado, março 06, 2010
Meditação
Relaxar, observar, não reagir. É possível observar mesmo o que está a acontecer neste instante? No instante em que realmente acontece antes de começarmos a adicionar explicações e conceitos e todo o tipo de teorias budistas ou não budistas?
Para mim agora meditar é apenas isto. Uma observação relaxada do que está realmente a acontecer, sem adicionar nada.
Postura correcta, relaxamento e observação. O único controle que procuro que exista é o de fazer voltar a atenção ou apenas para a respiração ou para tudo aquilo que está a acontecer, no momento presente, interna e externamente.
Faço isto todos os dias, pelo menos trinta minutos por dia, porque faz sentido. E não espero nada em troca...
sexta-feira, novembro 20, 2009
Espiritualidade

terça-feira, novembro 10, 2009
Originalidade
No mundo académico todos procuram escrever algo que seja original. E então por isso amontoam-se artigos, a maior parte inúteis e sobre problemas particulares, muitos deles inventados.
Quando é que algo que escrevemos é original? Basta que se sinta ou será preciso verificar se já está publicado em alguma revista científica internacional?
Deve ser preciso um estado meditativo muito profundo para verificar que algo é criatividade e não repetição de algo que surgiu em toda a nossa experiência até este momento. Hoje estou-me a rir de mim próprio...
Um poema de Bashô:
“Olhe cuidadosamente
A Nazuna desabrocha
Ao longo da cerca – Ah!”
Repito este para mim muitas vezes. Um dia vou saber o que diz e vai ser um poema original meu.
segunda-feira, novembro 09, 2009
Para quê meditar?
Para quê meditar, ficar sentado sem fazer nada, se há tantas coisas interessantes para fazer?
Mas o que é realmente interessante? Quando fazemos as coisas que nos apetecem não estaremos a agir determinados pelos condicionamentos criados por toda a nossa experiência passada até este momento? Será possível sair deste total determinismo que nos leva a seguir automaticamente os nossos "quereres"? Haverá realmente possibilidade de ser livre?
Poderemos mesmo ao meditar decompor e observar todo o processo mental, deste os impulsos que nos levam a fazer coisas, às consequentes reacções de apego, aversão, e agir sobre este processo, escolhendo o que fazer, ou não fazer?
Quando me forço a ficar sentado sem fazer nada não estarei afinal a investigar a possibilidade de ser realmente livre?

